Era uma sexta-feira diferente das outras e ele já pensava se este teria sido o pior dia de sua vida. Depois de um dia duro de trabalho recheado pela ansiedade oriunda da aproximação do final de semana, merecia mesmo tudo aquilo?
O início dessa semana foi marcado pela preguiçosa segunda-feira e seguem-se os os dias figurantes, terça quarta e quinta. No primeiro dentre os secundários, fora tomado por uma onda de papéis sobre a mesa de seu escritório. Eles consumiram suas horas como traças esfomeadas os consumiriam num porão escuro e úmido. No segundo daqueles dias, divertiu-se na "cela 14", como costumava chamar sua sala, atirando bolas de papel, cuidadosa e metodicamente amassadas por ele, no cesto de lixo. Nos momentos seguintes à sua saída do trabalho no mesmo período de 24 horas, pensou em como havia feito nada no tempo, que deveria significar tudo ou, no mínimo, boa parte disso. Aproximava-se a sexta-feira, porém faltava um dia figurante, a quinta, muitas vezes vivida como a primeira metade da sexta, mas com ele não ocorria o mesmo. Logo ao ser acordado pelo seu galo eletronicamente programado, foi tomado por um desânimo paralisante e decidiu-se a passar o resto do dia na cama, esperando por seu sucessor.
Era uma sexta-feira diferente das outras e ele já pensava se este teria sido o pior dia de sua vida. Depois de um dia duro de trabalho recheado pela ansiedade oriunda da aproximação do final de semana, merecia mesmo tudo aquilo? Assim que chegou em casa, pensou e julgou sabiamente que o que sentia era a pior sensação que já havia tido.
Fechou a porta com um coice feroz e atirou sua maleta por cima da mesa, acertando um vaso que caiu no chão, quebrando-se. Retirou os sapatos com os pés enquanto tentava alcançar suas costas. Esforços em vão. Estava piorando a todo momento, não poderia passar nem mais um minuto com aquele sentimento, tinha vontade de arranhá-las como nunca o fizera. Folgou a gravata para que pudesse respirar melhor ao mesmo tempo em que buscava por um objeto longo e afiado nas gavetas de sua cozinha. Abriu-as com desmedida força, derrubando os talheres e todos os outros artefatos culinários em seu piso de "shopping center", o que incomodou o seu vizinho do andar debaixo. Nada, nenhum dos que caíram servia. Pensou numa superfície áspera em seu apartamento, mas naquele momento de descontrole e irracionalidade não era capaz de pensar com clareza. Correu por todo o local berrando como louco, entretanto as paredes eram grossas e os moradores não podiam ouvir seus gritos de socorro berrados para ninguém. Chegando no quarto, pulou na cama e rasgou suas vestes, as veias saltavam em seu pescoço agora vermelho. Deitou-se e rolou de uma maneira que se assemelhava a um ataque epiléptico, em seguida vasculhou seu guarda-roupas procurando pelo presente que ganhara de seu brincalhão e despreocupado irmão mais velho e decepcionou-se por não encontrá-lo no local em que deixara. Enfurecido, arrancou uma das portas do móvel, partiu para os lugares em que acreditava tê-lo deixado, determinado a acabar com toda aquela agonia. Naquele momento, quem entrasse no apartamento poderia jurar que um grupo de paleontólogos o havia invadido cegos pela certeza da existência de um minúsculo e raro fóssil no imóvel. Estava desesperado, quando enfim encontrou o coçador de costas atrás da porta do banheiro. Com olhar e fala semelhantes aos de Smigol, de Senhor dos Anéis, deu início ao ritual de "coçassão". De maneira parecida à alguém que ingeriu ácido lisérgico dietilamida, teve alucinações das mais diversas coisas nas mais impossíveis combinações de cores. Nenhum orgasmo que já teve foi tão prazeroso quanto a sensação de "matar sua coceira". Caminhou pela moradia com os olhos fechados, cambaleava e ria loucamente. Passou por todos os ambientes de seu apartamento e, sem que percebesse, chegou a varanda de sua ampla sala de estar, rodopiando alegremente. Sentiu um vento forte em seu rosto, rodopiou mais depressa e, no momento em que abriu os olhos, já estava perto demais do chão para evitar um acidente.
E assim ele morreu, feliz, após cometer "um assassinato".
...Right now, over me! "Existe um lugar, onde eu posso ir, quando me sentir fraco,quando me sentir triste..essa é a minha mente, e não existe tempo quando estou sozinho. Existe um lugar..."
domingo, 11 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Está na hora do show
São tudo fases, a transição é dura, difícil, às vezes duradoura e desesperançosa. Você fica decepcionado com seus próximos, seus distantes e chora. Mas as lágrimas derramadas são por eles ou por si mesmo? A depressão parece um destino, a solidão, o seu consolo e então tudo está perdido. A multidão são fantoches, partes de um teatro duro, mau, porém satisfatório e instigante. Chega de representar papéis, os diretores já foram controladores o bastante, desempenharam bem seu dever e o fraco, caiu. Nem tudo acabou-se, entretanto, a fase de estar perdido e se procurar por todos os lugares, em vários textos, livros, em palavras, em outros fantoches, no roteiro.. está terminada. Encontrei-me apenas em mim mesmo e logo as linhas controladoras do destino romperam-se, vejo-me livre novamente para recomeçar o que deixara para trás, noutros tempos. Nada mais de forjar uma realidade para enganar-me, desta vez é sério, e está na hora do show.
"Todos têm algo a esconder exceto eu e meu macaco"
Veja, eles não parecem ter algo a esconder? Estão conspirando contra você, fazendo planos para acabar com tudo o que foi construído. Eles parecem ter inveja, ou seria amor exacerbado? Olhe em volta, estão com uma visão estranha, parecem saber algo que você não sabe, ainda.
Somos todos amigos, então por que desconfio de de que usem máscaras? Como serão de verdade, são bons, vêm em missão de paz, ou semeiam a discórdia? Só sei que não me sinto bem.
Estão me pressionando para eu ser o que querem que eu seja, dizendo o que é certo ou errado, me controlando. Isso enlouquece qualquer um, é de matar! Vamos, vamos lá, vamos com calma, é o que tenho para dizer.
Eles tem seu interior voltado para fora e seu exterior é sua imagem, sua identidade falsa. Vão com calma, façam uma brincadeira, contem uma piada para descontrair, tornem isso tudo um pouco mais fácil para mim e por fim voltaremos a conversar.
Quando lá estivermos, sejam verdadeiros e ponham o jogo na mesa, sem mais cartas nas mangas ou blefes. Agora quero voltar, ser eu, e não sofrer por defender aquilo em que acredito, aquilo que amo. Chega de seriedade e de teatro, vamos lá!
Sim, agora sim, posso pelo menos cumprimentar meu macaco, ainda que de longe. Mas não parece real, talvez seja uma imagem dele projetada na tortuosa sala de espelhos de meu cérebro, uma realidade forjada. Posso estar me traindo, quem sabe?
Não me importo se "todos têm algo a esconder exceto eu e meu macaco". E se ele estiver perdido? Bem, por enquanto não sou meu macaco.
*Esse texto foi feito pouco tempo depois de "Alvin e os esquilos", porém não postado. Revela uma confusão mental e emocional angustiantes. Só o publico agora, pois venci a transição e escrevi uma resposta para mim mesmo, o texto "Está na hora do show".
Somos todos amigos, então por que desconfio de de que usem máscaras? Como serão de verdade, são bons, vêm em missão de paz, ou semeiam a discórdia? Só sei que não me sinto bem.
Estão me pressionando para eu ser o que querem que eu seja, dizendo o que é certo ou errado, me controlando. Isso enlouquece qualquer um, é de matar! Vamos, vamos lá, vamos com calma, é o que tenho para dizer.
Eles tem seu interior voltado para fora e seu exterior é sua imagem, sua identidade falsa. Vão com calma, façam uma brincadeira, contem uma piada para descontrair, tornem isso tudo um pouco mais fácil para mim e por fim voltaremos a conversar.
Quando lá estivermos, sejam verdadeiros e ponham o jogo na mesa, sem mais cartas nas mangas ou blefes. Agora quero voltar, ser eu, e não sofrer por defender aquilo em que acredito, aquilo que amo. Chega de seriedade e de teatro, vamos lá!
Sim, agora sim, posso pelo menos cumprimentar meu macaco, ainda que de longe. Mas não parece real, talvez seja uma imagem dele projetada na tortuosa sala de espelhos de meu cérebro, uma realidade forjada. Posso estar me traindo, quem sabe?
Não me importo se "todos têm algo a esconder exceto eu e meu macaco". E se ele estiver perdido? Bem, por enquanto não sou meu macaco.
*Esse texto foi feito pouco tempo depois de "Alvin e os esquilos", porém não postado. Revela uma confusão mental e emocional angustiantes. Só o publico agora, pois venci a transição e escrevi uma resposta para mim mesmo, o texto "Está na hora do show".
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Alvin e os esquilos
Eu mereço ver uma entrevista de Lady Gaga toda a vez que ligo no canal da Fox? Nessa "bendita" entrevista, ela diz que quer ser ou é (não me lembro bem) responsável por uma revolução na música pop. Qual deveria ser minha reação, rir, chorar, ignorar?
Evolução é uma mudança de características, assim pode ela ser boa ou ruim. Revolução é uma transformação, seja ela pequena, grande, repentina ou contínua. Pois bem, Lady Gaga, poderia até dizer que você é/foi/será uma revolução na música pop, mas você não é/foi/será. Tudo o que fez até agora foi produzir musicas diferentes, porém iguais. Sim, o que ela disse na entrevista foi um paradoxo.
Qual é a grande mudança em escrever músicas sem conteúdo, com insinuações sexuais cuja única maneira de ouvi-la é com o corpo e passar a escrever músicas com conteúdo nenhum, sem insinuações que não são sexuais e cuja maneira de ouvi-la não são todas as que não são com o corpo? Algumas pessoas já trabalhavam nisso bem antes de você e bem melhor do que você, Gaga.
Para os fãs da cantora tenho algo a falar "só digo é isso, num digo é nada". Mentira, não me aguento, Alvin e os esquilos são mais revolucionários do que a Lady e, por isso, o título é de vocês, esquilos falantes!
Evolução é uma mudança de características, assim pode ela ser boa ou ruim. Revolução é uma transformação, seja ela pequena, grande, repentina ou contínua. Pois bem, Lady Gaga, poderia até dizer que você é/foi/será uma revolução na música pop, mas você não é/foi/será. Tudo o que fez até agora foi produzir musicas diferentes, porém iguais. Sim, o que ela disse na entrevista foi um paradoxo.
Qual é a grande mudança em escrever músicas sem conteúdo, com insinuações sexuais cuja única maneira de ouvi-la é com o corpo e passar a escrever músicas com conteúdo nenhum, sem insinuações que não são sexuais e cuja maneira de ouvi-la não são todas as que não são com o corpo? Algumas pessoas já trabalhavam nisso bem antes de você e bem melhor do que você, Gaga.
Para os fãs da cantora tenho algo a falar "só digo é isso, num digo é nada". Mentira, não me aguento, Alvin e os esquilos são mais revolucionários do que a Lady e, por isso, o título é de vocês, esquilos falantes!
domingo, 14 de agosto de 2011
Os olhos veem o que querem ver
Existe muito adolescente por aí pensando que é gente, criticando o mundo todo, tentando resolver seus problemas completamente só, buscando a independência, a liberdade e confundindo-a com libertinagem, postando seus desabafos e o que mais der na mente, em um blog, se achando um grande escritor.
Gente assim vive num mar de baixíssima visibilidade, que não lhe permite enxergar alguns centímetros além do próprio nariz. Dessa maneira você vai levar um caldo, adolescentezinho revoltado.
Este caldo pode manifestar-se de diversas formas, em momentos de arrependimento, raiva, medo, frustração, insegurança, solidão. Depois de levá-lo, ainda no chão, pensa-se no que foi feito para que isso ocorresse e, pouco tempo depois, quando alguém aparece lhe oferecendo apoio para se levantar, você recusa, tomado por seu orgulho. Mas cuidado, outras ondas vem atrás, algumas maiores e outras menores, conforme a maré.
Nossos erros nos ensinam a não repeti-los, os exemplos arrastam e a dor ensina a gemer. É muito fácil buscar por alguém quando se encontra numa situação complicada, não é? E quando essas pessoas são justamente aquelas para as quais você olhou arrogantemente dizendo-se "não preciso de vocês", demonstrando completa ingratidão e desequilíbrio emocional?
É muito fácil sim, procurar por ajuda, um aperto de mão colega, um ombro amigo, um abraço carinhoso, um colo de mãe, ou fazer uma oração ao se ver só, perdido no oceano. Até o sentimento que não te permitia ter quaisquer maiores contados com aqueles seres humanos desaparecem. E eles, será que estão dispostos a suportar você? O orgulho sempre vem antes de uma queda, e é verdade.
Suas revoltas não passam de agitação cega, sem propósitos. Elas levam-te a lugar nenhum, mas antes você passa por um caminho trilhado pelas escolhas que mudarão sua vida para sempre, não para melhor. Isso tudo para perceber sua ignorância e alienação em dados momentos.
Então, adolescentezinho, olhe para trás, para a frente e para o espelho. O que você vê é a mesma coisa nos três? Os olhos veem o que querem ver...
Gente assim vive num mar de baixíssima visibilidade, que não lhe permite enxergar alguns centímetros além do próprio nariz. Dessa maneira você vai levar um caldo, adolescentezinho revoltado.
Este caldo pode manifestar-se de diversas formas, em momentos de arrependimento, raiva, medo, frustração, insegurança, solidão. Depois de levá-lo, ainda no chão, pensa-se no que foi feito para que isso ocorresse e, pouco tempo depois, quando alguém aparece lhe oferecendo apoio para se levantar, você recusa, tomado por seu orgulho. Mas cuidado, outras ondas vem atrás, algumas maiores e outras menores, conforme a maré.
Nossos erros nos ensinam a não repeti-los, os exemplos arrastam e a dor ensina a gemer. É muito fácil buscar por alguém quando se encontra numa situação complicada, não é? E quando essas pessoas são justamente aquelas para as quais você olhou arrogantemente dizendo-se "não preciso de vocês", demonstrando completa ingratidão e desequilíbrio emocional?
É muito fácil sim, procurar por ajuda, um aperto de mão colega, um ombro amigo, um abraço carinhoso, um colo de mãe, ou fazer uma oração ao se ver só, perdido no oceano. Até o sentimento que não te permitia ter quaisquer maiores contados com aqueles seres humanos desaparecem. E eles, será que estão dispostos a suportar você? O orgulho sempre vem antes de uma queda, e é verdade.
Suas revoltas não passam de agitação cega, sem propósitos. Elas levam-te a lugar nenhum, mas antes você passa por um caminho trilhado pelas escolhas que mudarão sua vida para sempre, não para melhor. Isso tudo para perceber sua ignorância e alienação em dados momentos.
Então, adolescentezinho, olhe para trás, para a frente e para o espelho. O que você vê é a mesma coisa nos três? Os olhos veem o que querem ver...
sábado, 13 de agosto de 2011
E eu te amo
Você mostrou-me o quanto sou falho, inseguro, burro, idiota, irresponsável, arrogante, individualista e uma outra porção de coisas que evidenciam minha "falta de perfeição". Aprendo a "ser" com você cada vez mais e mais. Mostrou-me o quanto ainda posso melhorar, agora mostre-como, ajude-me a progredir. Meu pedido já é atendido, pois sei que contigo ao meu lado nada é tão ruim que não possamos melhorar, nós dois, você e eu.
Estou surpreso da maneira que eu te amo o tempo todo, da maneira como um dia torna-se um novo dia apenas por eu receber uma mensagem sua, um telefonema, olhar em seus seus olhos ou segurar a sua mão.
Deixei-te livre, com um grande medo de perder aquilo que tínhamos, de perder meu amor. Mas você voltou, aceitou voltar.. e eu te amo.
domingo, 7 de agosto de 2011
Nada, mais nada e algo
Constantemente sou indagado se tenho complexo de superioridade. Sempre disse e continuarei dizendo que "os outros" possuem um caso sério de complexo de inferioridade. O ditado no qual me baseio para explicar minhas ideias é "em terra de cego, quem tem um olho é rei".
Considero-me um leigo em diversos assuntos, com pouquíssimo conhecimento, apenas tenho um ponto de vista singular sobre tudo. Os cegos não enxergam que meu olho é de vidro, mas eu sei disso. Seguindo a linha de raciocínio, serei o marco nulo, o ponto zero, o "nada". Como alguém pode me achar um ser tão inteligente se digo que sou e, de fato sou, nada? Essa pessoa é mais nada do que eu e só não é algo, pois não sabe ou acredita que possa ser.
Assim explica-se o complexo de inferioridade da população abaixo do ponto zero.
Considero-me um leigo em diversos assuntos, com pouquíssimo conhecimento, apenas tenho um ponto de vista singular sobre tudo. Os cegos não enxergam que meu olho é de vidro, mas eu sei disso. Seguindo a linha de raciocínio, serei o marco nulo, o ponto zero, o "nada". Como alguém pode me achar um ser tão inteligente se digo que sou e, de fato sou, nada? Essa pessoa é mais nada do que eu e só não é algo, pois não sabe ou acredita que possa ser.
Assim explica-se o complexo de inferioridade da população abaixo do ponto zero.
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